Edifício Arnaldo

Ano: 2015

Localização

Brasil, MG, Belo Horizonte

Área construída: 22.448 m²

Serviços

Estudo, projeto básico, projeto legal/patrimônio e pré-executivo

Autoria

Haiko Sinnema e Daniel Carvalho

Coautoria

Daniel Sinnema

Colaboração:

Iris Dias Resende, Rita de Cássia Jácome e Silvia Guastaferro.

Contratante

Horizontes Arquitetura


 

Premissas

Para o projeto de expansão do colégio Arnaldo, os arquitetos partiram das questões mais técnicas, acreditando que a tradução das diretrizes existentes seria mais eficaz para os usuários se, em projeto, qualquer intervenção fosse exata ao entendimento de sua função, e que, qualquer outra interpretação se daria por parte do próprio sujeito expectador. Em resposta a essa definição, do primeiro ao último traço, a solução encontrada foi a simplicidade. Na medida que fossem estabelecidos limites lógicos para cada intervenção no sítio como, transparência, ausência, redução, manutenção, entre outros, abrir-se-ia margem para exatamente aquilo que se discutiu como eficaz para o usuário e indivíduo; Ele próprio e suas ações no espaço.

Preservar o imóvel tombado, eliminar edificações adjacentes que descaracterizam o conjunto original e propor novas instalações a fim de atender novos usos preservando e valorizando o conjunto arquitetônico principal existente. Essas foram as principais demandas apresentadas pelo escritório Horizontes arquitetura ao contratar os serviços de estudo, projeto básico, projeto legal/patrimônio e pré-executivo para expansão do colégio Arnaldo.

Sinnema Arquitetura - Colégio Arnaldo.gif

Processo criativo e desenvolvimento

A partir das diretrizes existentes como, carta de grau de proteção, plano diretor para desenvolvimento de projeto e as legislações municipais, os arquitetos Haiko Sinnema e Daniel Carvalho desenvolveram os primeiros rabiscos a mão considerando principalmente os aspectos físicos que caracterizam o terreno e também as possibilidades de implantação que respeitassem o edifício histórico existente. Assim, o ponto de partida para o desenvolvimento do projeto da nova edificação seguiu basicamente quatro condições definidas pelos próprios arquitetos e autores do projeto:

  1. Distância máxima de implantação entre a novo volume e o edifício histórico existente;
  2. Manutenção das principais vistas do edifício histórico através de soluções de altimetria do novo edifício;
  3. Criação de novas vistas e percursos que favoreçam a fachada interna do edifício histórico;
  4. Utilização racional dos níveis da quadra para otimização e racionalização de acessos, movimentação de terra e definição das lajes e alturas de pés direitos.

Tratando-se da primeira condição e a partir de um rápido estudo volumétrico em maquete virtual, sem os edifícios que descaracterizavam o conjunto, a presença das três torres existentes marcou e evidenciou três das quatro esquinas da quadra em altura e acesso. Logicamente, para os arquitetos, uma nova torre na quarta esquina estaria mais distante possível do imóvel tombado e faria o mesmo papel de marco, fechando simbolicamente o quarteirão.

Definindo a construção da quarta torre como ponto inicial, optou-se por conceber o partido de todo o novo edifício em “L”. Esse formato remete diretamente à implantação do edifício existente na esquina oposta. Solução que abraça o interior do conjunto, mas se impõe ao exterior junto à quarta torre projetada.

Nesse ponto do projeto, quando se estudou a ocupação em área, dado o potencial construtivo da lei, os arquitetos Haiko Sinnema e Daniel Carvalho entenderam que a ocupação máxima não permitiria o diálogo da nova edificação com o prédio tombado. Um volume linearmente vertical voltaria a fechar a quadra em si quando disputasse vista para o céu e para o conjunto.

Duas soluções muito simples foram esboçadas para resolver o problema; Ampliação dos afastamentos em relação ao imóvel tombado e escalonamento do novo edifício. “Mais baixo será o novo prédio quanto mais perto estiver do edifício existente.” A inteligência dessas soluções permitiu a máxima permeabilidade visual do conjunto e parte de sua fachada interna a partir das ruas posteriores, além de coincidir com a manutenção da segunda condição e diretriz dos próprios arquitetos: Manutenção das principais vistas do edifício histórico através de soluções de altimetria do novo edifício.

Com os escalonamentos longitudinais e transversais, grandes áreas avarandadas puderam ser pensadas para o novo edifício, que fizeram dessas lajes externas potenciais transformadores da dinâmica dos usuários e as áreas comuns de cada pavimento. Os elementos internos antes escondidos se abriram frente a nova relação dos edifícios, que também seguia ao encontro da terceira condição: Criação de novas vistas e percursos que favoreçam a fachada interna do edifício histórico.

Estudado aspectos gerais da volumetria básica, o programa de necessidades começou a ser lançado, bem como todos os equipamentos necessários; estacionamento, piscina, quadra coberta e descobertas. De acordo com a lei municipal, o limite para os estacionamentos seria idêntico ao potencial construtivo. Desse modo, para o aproveitamento máximo do número das vagas disponíveis, dois níveis de estacionamentos em subsolo que foram pensados. A mesma escavação feita para os estacionamentos possibilitou também a implantação da quadra coberta, semienterrada. A laje de cobertura da quadra abrigará ainda uma grande praça e interstício entre a rua e o interior do sítio.

Racionalizar os níveis de acesso do novo edifício foi um dos aspectos fundamentais para que a organização dos espaços internos se dispusesse coerentemente com a proposta de abarcar diferentes usos do novo prédio. Basicamente, quatro diferentes acessos permitiram que lojas, educação infantil, anexo da educação do edifício histórico e pavimentos de salas comerciais coexistissem. A otimização e racionalização desses acessos também determinou diretamente; altura das lajes, pés direitos e diminuição da movimentação de terra. Com isso, as quadras poliesportivas descobertas se organizaram adjacentes à preservação da massa arbórea a ser preservada e a piscina olímpica, em trecho de maior insolação, afastada das áreas mais verticalizadas do conjunto tombado


 
 

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